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ToCv.3.8: 1 = -2

1 = -2


Se correr o bicho pega; se ficar o bicho come.
Não vai ter mesmo jeito: se quiser um, vou ter que excluir dois. E não é uma equação matemática doida, não. É realidade pura, nua e crua.

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Eu sou uma criatura de natureza ansiosa meio controlada, apesar de aparentar uma fisionomia calma e ter um caráter paciente digno a candidatura Jó versão feminina.

Algumas consultas médicas me deixam sempre com um nó na boca do estômago, as mãos suadas e um brilho nos olhos que certamente não é de felicidade.

Ontem não foi diferente.
Foi uma consulta não programada, melhor dizer, nada programada. Terça-feira telefonei para o consultório do doutor pra saber quando poderia ir e a resposta foi pá-pum: "signora, lei può venire giovedì alle ore 6:30" (venha quinta-feira às 18:30 h). Achei muito rápido, porque sei que ele é um profissional muito ocupado (trabalha no hospital como diretor clínico e atende em dois consultórios -- em cidades diferentes).

Diante de toda essa "sorte", fui, né (o maridón foi comigo).

Chegamos às 18:25 h. Em geral, o consultório é limpo e moderno. Tem música ambiente tocando baixinho (menos mal, porque ficar alí, olhando um pra cara do outro, sem saber o que dizer é f%@$#!). Um casal esperava e tinha outra pessoa lá dentro com o médico. Apenas esta saiu, perguntamos rapidamente à simpática enfermeira assistente -- que mais tarde descobrimos ser irmã do médico -- sobre o horário marcado e esta nos pediu gentilmente que aguardássemos.

Entramos. Já conhecíamos o médico, pelo menos de vista: foi na ocasião da operação da minha cunhada E., em julho passado. É um jovem doutor -- tem apenas 40 anos -- com cabelos encaracolados e é do tipo que fala com o paciente guardando nos olhos. Foi muito simpático e gentil (exatamente como quando o vimos no hospital). Parece ser um in gamba (competente, como se diz por aqui): a sala de espera estava cheia quando saímos do consultório, mas isso não significa muita coisa. Chama-se Santo T. (será mesmo?) e sua fama na província é que ele é "o fazedor de milagres".

Depois da ultrassonografia, ele foi muito claro na sua colocação, até mesmo porque não temos muito tempo a perder. Nada do que eu já não soubesse, com exceção dos dados atuais. Decisão n° 1: ele prescreveu uma injeção que devo fazer hoje (ou impreterivelmente até amanhã).

O doutor também escreveu todos os meus dados e nos disse que a partir de hoje eu figuro oficialmente na lista de espera do hospital para cirurgias deste tipo. Segundo ele, passará pelo menos uns dois meses até me chamarem, com certeza.

Pagamos 70 euros pela consulta e ele nos deu a ricevuta.
Antes de sairmos da sala, ele me deu a mão e me disse (olho no olho) "signora, stia tranquilla".

Decisão n° 2 e a mais difícil (tive que tomá-la consultando o travesseiro molhado durante a noite passada): daqui a pouco eu vou ter que sair para ir até a USL local autorizar a requisição, pois trata-se de medicamento italiano classe A (a pagamento) e se eu tivesse que comprá-la do meu bolso, só essa injeçãozinha custaria 300 euros. O médico me disse que talvez eu tenha que tomar uma outra -- daqui uns três meses -- enquanto espero o hospital me chamar para realizar a bateria de exames do pré-operatório e sou na fase STAND BY do facão.

Como posso estar tranqüila?!?
O caminho não tem mais volta.
Eu quero minha mãe!

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Alguém tem um cigarro?
(peraí, eu não fumo, caracoles...)

Vou tentar outra pergunta:
Alguém tem um drops ansiolítico extra-forte?


Trocados contados no chapéu


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