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ToCv.3.8: Os Novos Bonitões do Pedaço

Os Novos Bonitões do Pedaço


Hoje faz uma semana que Neo e Trinity chegaram.
Eu e o maridón havíamos avaliado a possibilidade de termos um pássaro, pois essa era a opção mais viável para nós (a outra era ter um aquário com peixes, que são relaxantes sim, porém muito monótonos) devido ao fato de vivermos num "apartamento" no 3° andar e eu não querer incomodar os meus sogros e cunhada com um animal que pudesse fazer bagunça e/ou sujeira na casa deles ou escada (ou então que dormisse na cama, por exemplo, gato ou cão).

Foi assim...
Quando saímos do consultório médico na semana passada e a caminho da farmácia -- que fica a duas quadras daqui de casa -- passamos em frente a um petshop e eu disse pra ele "entramos?" e ele me respondeu "mas o que você quer ver? vai querer comprar peixinhos pra D.?". Sorri. "Não, quero entrar pra dar uma olhada, assim, sem compromisso... Por enquanto ainda é grátis e quem sabe eu melhoro um pouco de humor!". Entramos, só pra curiosar.

A última vez que estivemos lá foi pra perguntar se eles vendiam gatos persas. É um pequeno petshop, com duas salas. A mais comprida é destinada ao atendimento e pagamento. Tem um longo balcão com muitas latinhas de ração e coisas várias nas prateleiras, além de conter no fundo gaiolas, pássaros e pacotões de ração; a outra sala é onde ficam os aquários, tartarugas e não me lembro mais o que tinha lá. Meu cunhado F., marido de A. (irmã do maridón) disse que é um pet caro (e eu confirmo, é mesmo!).

Vimos alguns exemplares, mas as gaiolas à venda eram pequenas e caras (€ 23,50). Todos os acessórios eram vendidos separadamente. Dissemos que iríamos pensar porque ainda não sabíamos ao certo onde deixá-los em casa. Saímos. Fomos à farmácia e voltamos pra casa com o remédio (o mucolítico para a inalação).

Mais tarde fomos até um outro paese aqui perto, porque a loja de material elétrico onde o maridón costuma comprar tinha fechado cedo. Eu esperei no carro, porque estava calor pra caramba e sem a mínima vontade de subir a pequena ladeira.

No caminho de casa, passamos numa rua e eu disse "você viu?". "Não, que coisa?". "A gaiola que estava fora? Dá a volta no quarteirão". Ele deu. Viu e estacionou, já sorrindo.

Saímos do carro e vimos a tal gaiola.
Realmente bonita, grande e dourada, dotada de carrinho com rodas e todos os acessórios em acrílico fumê.

Entramos pra perguntar o preço. Um rapaz jovem e simpático nos atendeu. A gaiola era cara sim, mas com todos os acessórios inclusos + carrinho. O maridón perguntou se ele poderia fazer um desconto. O vendedor sorriu e disse que poderia fazer algo. Não deu outra. Escolhemos os periquitos -- decidimos por um casal (o macho tem cera azul sobre o bico, a fêmea tem rosa e quando está no período de acasalamento muda pra marrom quase chocolate). Ele separou-os do grupo dentro do viveiro com um painel removível, pegando-os com uma luva de látex. Enfim, no final das contas ele nos fez um descontão: os cinco quilos de grit (pedrinhas) não nos fez pagar, a caixinha das vitaminas e a "jacuzzi" ele reduziu o preço quase pela metade, fez um desconto no ninho (afinal são um casal, né?), nos deu um bebedouro a mais e na compra de três peixinhos para a nossa sobrinha D., ele nos deu de presente um quarto, além de um frasco de comida pros peixinhos. Pagamos com dinheiro eletrônico (chama-se bancomat aqui). Ele apenas nos recomendou atentamente de não darmos alface se não for bem lavada, aliás disse que é melhor pra eles as verduras de folhas mais escuras, como por exemplo o espinafre.

Havia uma arara azul lá dentro do petshop muito simpática e que estava devorando as sementes de girassol.

Nós os colocamos no banco de trás e os trouxemos pra casa. Ficaram quietinhos e nem fizeram barulho.

Durante toda a noite dormiram naquele puleiro e não tocaram a comida por todo o sábado. Domingo eles começaram a comer e a beber (e como comeram). Voaram e se penduraram pela gaiola. E assim a vida voltou a ser como antes, pelo menos pra eles, os cocoriti*...

.

O legal da coisa é que não foi nada planejado. Saímos, vimos, gostamos e compramos.

Apesar de algumas vezes sentir pena de vê-los dentro da gaiola (quero dizer não só deles, mas de pássaros em geral, pois nada é melhor do que a liberdade), estou feliz por tê-los comigo. Confesso que até chorei por saber que estão sob os meus (nossos) cuidados. Sou besta, né? Mas sou humana, tenho amor pelos animais... O que posso fazer! Quando era pequena tive uma experiência com pássaros, um periquito verde que a abuela trouxe pra casa (ela o achou pousado no retrovisor de um carro). Ele cantava, murmurava e imitava a minha avó dando beijinho. Era uma gracinha.

Comecei a sentir menos culpa quando li numa página que eu achei na internet que os periquitos se adestrados podem viver fora da gaiola. :-D

Ilustração: Keet LeibowitzAos poucos começamos a entender o comportamento dos nossos simpáticos amigos. Por exemplo, Trinity (azul, com asas escuras) é a primeira que canta quando vê a luz do sol. Notamos que eles adoram estar ao ar livre, fazem grande festa quando ouvem a passarinhada que canta. Ficam loucos com as andorinhas que passeiam como kamikases pelos céus sicilianos. Tentam chamar a atenção também. Neo (verde água, com asas claras) é mais tímido, adora murmurar (os dois fazem verdadeiros discursos algumas vezes), mas entra na onda da Trinity quando ela começa a cantar. É mais comilão que Trinity e adora maçã. Os dois se estranharam muito nos três primeiros dias, pois parece que Trinity é mais jovem do que Neo. Aos poucos começam a ter mais confiança um no outro e no ambiente. Trinity já não bica Neo como antes para afastá-lo dela e isso é um bom sinal.

No geral, são pássaros alegres e brincalhões. Adoram crianças e devem viver em grupo, pois senão sentem-se solitários.

Acertamos em cheio. A casa ganhou uma nova atmosfera e eu fico feliz que durou pouco o problema da ambientação (casa e gaiola novas).

Estamos felizes que eles moram aqui com a gente e que tudo transcorre bem.

Agora entendo perfeitamente a Cíntia com o Schatzi.


* periquitos, em italiano


Trocados contados no chapéu


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