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ToCv.3.8: 'U sciccareddu*

'U sciccareddu*


Vocês lembram daquele antigo trote telefônico no qual perguntavam se vaca de tamanco subia a escada, né?

Pois bem, esses dias maridón me contou uma dessas estórias, mas com uma diferença: a história é verídica. Aconteceu com ele e com meu sogro, que é conhecido aqui no paese como “o homem que faz tudo” (e é respeitado por isso, pois todo mundo o procura quando tem dificuldade pra resolver algo): providencia inscrição no serviço de atendimento médico (libretto sanitario), faz requisição pra aposentadoria (domanda per la pensione), marca exames pra pessoas anciãs na USL (tipo o SUS) e que têm dificuldades de locomoção, leva os remédios e as fraldas geriátricas até em casa, enfim, ajuda um montão de gente fazendo essas coisas.

Quando meu marido era mais jovem, um dia meu sogro pediu que ele o acompanhasse pra fazer um serviço aqui perto, nuns prédios construídos para pessoas de baixa renda (as chamadas case popolari, uma Cohab anos 80 de três andares). Chegando lá, enquanto meu sogro explicava pra família -- num outro cômodo -- alguns procedimentos para a assinatura de modelos de requisição e recolhimento de documentos, meu marido foi convidado a sentar-se num banquinho de madeira que estava na sala, que segundo a descrição dele mais parecia uma oficina mecânica (acho que vocês podem ter uma idéia de como era o ambiente, né?). Ele pegou o banquinho e sentou-se de costas pra um longo corredor. Ele ouvia a conversa, mas de repente sentiu uns barulhos estranhos vindos do fundo do corredor. Sentiu uma respiração forte que o incomodava.


Ouça "Lu sciccareddu"

Foi quando ele se virou e viu um asno que caminhava em sua direção. Ele levantou-se rapidinho e deu passagem pro bicho, que abanava as orelhas e foi em direção de uma porta entreaberta, empurrando-a com o focinho.

Quando a porta se abriu, maridón percebeu que alí era um banheiro que funcionava como cocheira: dentro da banheira antiga colocaram palha pro asno comer, o lavatório era o seu bebedouro e no bidê a família plantava manjericão.

Ele ficou estarrecido com a cena.
Quando eles foram embora, meu marido perguntou ao pai se ele sabia que eles criavam um asno dentro de casa e ele disse que sim e que ele levou meu marido lá pra servir como testemunha, porque se ele contasse essa história em casa, ninguém acreditaria. Mas meu sogro ficou com a pulguinha atrás da orelha até hoje: não teve coragem de perguntar àquela família como eles fizeram o asno subir, já que eles moravam no primeiro andar do prédio.

Vocês ainda têm alguma dúvida se vacas sobem escadas?


* asno, em siciliano

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Trocados contados no chapéu


Anonymous Anónimo deu um trocado em 01/09/07, 14:29 h e disse:

Menina, não é que italiano é mesmo nosso irmão direto?
Esse tipo de coisa só acontece mesmo aqui ou ai...rsrsrs

E óia, quero fazer a moça di muleke di recado naum... mas diga a seu sogro que uma "pazza brasiliana", já virou sua fã, ok?
Que belo trabalho ao próximo faz ele :), parabéns ao sogrão!
bjs

 

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