Pobre Centauro
Esqueci de contar...
Seby, 40 anos, amigo de adolescência do maridón, faleceu na tarde de quarta-feira passada (15/03) vítima de um gravíssimo acidente na estrada estatal que nos leva à Siracusa. Ele viajava sentido cidade na sua Harley-Davidson custom cromada a mais de 90 km/h e chocou-se de frente com uma Fiat Multipla que retornava ao paese.
A dinâmica do acidente parece que foi mais ou menos assim: automobilistas que seguiam na direção Siracusa viram o centauro (motociclista por aqui é chamado assim) ultrapassar um carro que viajava a cerca de 90 km/h. Sabe-se lá o que aconteceu depois, o fato é que a moto foi parar em cima da Multipla. Eram duas pessoas no automóvel: a mulher que dirigia e outra mulher sentada no banco do passageiro. Talvez a mulher não esperou a sua vez e entrou sem esperar, calculando mal a velocidade; pode ser que ela nem tenha visto Seby ou quem teve um momento de distração foi o motociclista e quando se deu por conta já era mais que tarde.
O pobre velhinho que conduzia um trator e esperava na travessa sua vez de virar à esquerda na estatal -- exatamente na esquina onde aconteceu o acidente -- afirmou às entidades locais que o impacto foi assim tão forte que o corpo do centauro voou e que o capacete que ele usava foi encontrado a 20 metros do corpo. Morto cent'anni, ou seja, foi-se. A passageira da Multipla feriu-se gravemente ficando presa nas ferragens, mas foi socorrida logo depois. A Harley perdia combustível e faltavam roda dianteira e guidom.
Eu morro de medo da velocidade.
.
O assunto nesses dois últimos dias foi somente esse.
Hoje à tarde aconteceu o funeral. A cidade inteira parou.
Quem esteve presente na praça da Chiesa del Carmine disse que foi realmente emocionante: os amigos de raduno (encontro de motociclistas, automobilistas e outros istas) todos em fila e vestidos de preto com suas motos uma ao lado da outra esperando que a missa acabasse e que o caixão saísse da igreja; quando este desceu a escadaria carregado por outros centauros, foi um silêncio total quebrado somente pelos aplausos e pelo ronco dos motores no exato momento em que Seby se encontrava na frente da casa onde morava desde a infância.
Seby, 40 anos, amigo de adolescência do maridón, faleceu na tarde de quarta-feira passada (15/03) vítima de um gravíssimo acidente na estrada estatal que nos leva à Siracusa. Ele viajava sentido cidade na sua Harley-Davidson custom cromada a mais de 90 km/h e chocou-se de frente com uma Fiat Multipla que retornava ao paese.
A dinâmica do acidente parece que foi mais ou menos assim: automobilistas que seguiam na direção Siracusa viram o centauro (motociclista por aqui é chamado assim) ultrapassar um carro que viajava a cerca de 90 km/h. Sabe-se lá o que aconteceu depois, o fato é que a moto foi parar em cima da Multipla. Eram duas pessoas no automóvel: a mulher que dirigia e outra mulher sentada no banco do passageiro. Talvez a mulher não esperou a sua vez e entrou sem esperar, calculando mal a velocidade; pode ser que ela nem tenha visto Seby ou quem teve um momento de distração foi o motociclista e quando se deu por conta já era mais que tarde.
O pobre velhinho que conduzia um trator e esperava na travessa sua vez de virar à esquerda na estatal -- exatamente na esquina onde aconteceu o acidente -- afirmou às entidades locais que o impacto foi assim tão forte que o corpo do centauro voou e que o capacete que ele usava foi encontrado a 20 metros do corpo. Morto cent'anni, ou seja, foi-se. A passageira da Multipla feriu-se gravemente ficando presa nas ferragens, mas foi socorrida logo depois. A Harley perdia combustível e faltavam roda dianteira e guidom.
Eu morro de medo da velocidade.
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O assunto nesses dois últimos dias foi somente esse.
Hoje à tarde aconteceu o funeral. A cidade inteira parou.
Quem esteve presente na praça da Chiesa del Carmine disse que foi realmente emocionante: os amigos de raduno (encontro de motociclistas, automobilistas e outros istas) todos em fila e vestidos de preto com suas motos uma ao lado da outra esperando que a missa acabasse e que o caixão saísse da igreja; quando este desceu a escadaria carregado por outros centauros, foi um silêncio total quebrado somente pelos aplausos e pelo ronco dos motores no exato momento em que Seby se encontrava na frente da casa onde morava desde a infância.


Trocados contados no chapéu
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