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ToCv.3.8: Qualé, Bicho...

Qualé, Bicho...


Na sala de teoria da auto-escola tem motores seccionados (aqui se aprende também a mecânica de automóveis), sinais de trânsito por todas as partes, computadores, tevê e telão.

A única coisa que destoa, na minha opinião, é um ângulo onde um dos proprietários da auto-escola exibe três posteres de quando ele era mais jovem e praticava a caça. Lá está ele todo pomposo, vestido a caráter e segurando os bichos (vi aves) mortos.

Cá pra nós: eu teria vergonha de mostrá-los em público!

.....

Chirp, chirp, chirp!
Os lindões continuam lindões.
Comem, bebem, cantam, brincam, bicam, fazem bagunça -- porque Trinity está tornando-se mocinha, hohoho! -- e "namoram".

Neo pode ser definido como "o periquito cavalheiro": é muito dócil, sempre corteja Trinity, lhe dá de comer, faz longos discursos sozinho, canta pra ela, balança a cabeça (porque a deseja), além de ser mais velho e mais inteligente. Trinity é meio na dela, é ciumenta e um pouco arredia; está revelando-se uma fêmea difícil (ou pelo menos se faz...).

Não me importo de passar algumas horas na semana dedicando-me aos cuidados com a limpeza geral da gaiola (lavo duas vezes por semana, desinfeto tudo) e deles (meus periquitos tomam banho de chuveirinho, viu...). Troco a água do bebedouro e abasteço o comedouro todos os dias, sempre que posso dou fruta ou outro petisco (biscoito, cereais em barra, etc.); procuro incluir alguma proteína na dieta deles (porque eles também precisam dela), recolho as plumas que eles vão deixando pela casa (este é o período da troca), aparto brigas, chamo a atenção (hehehe), converso, acaricio e brinco com eles por um longo tempo, etc.

Eu adoro tê-los por perto e jamais pensei que me divirtiriam tanto.
Já disse que sinto dó por tê-los dentro da gaiola, mas pelo momento é assim que eles têm que ficar. Tive olhando uns vídeos sobre budgies que me deixaram louquinha pra ver esse futuro chegar logo. Temos aprendido muito, eu e eles. Tento sempre coisas novas, mas respeito a vontade deles. Sou paciente e vejo que já tive muitos progressos desde que eles chegaram na nossa casa.

Um dia, eles viverão aqui em casa livres dessa gaiola.
Tempo é a palavra-chave.

.

Mamãe disse que Jay-Jay sumiu de vez.
Ela acha que ele morreu porque há umas duas semanas atrás, ele tinha voltado pra casa com o traseiro machucado (leia-se anca), sabe-se lá por qual motivo. Era um domingo e meus pais decidiram que o levariam no veterinário na segunda-feira de manhã. Amanheceu o dia e o gato desapareceu.

Meu pai já o procurou por toda parte. Encontrou nada.
J-Jay era um gato boêmio, saía e voltava quando queria, sem contar que ficava dias e até mais de uma semana fora quando tinha nas redondezas alguma fêmea no cio.

Eu adorava aquele gato, porque ele tinha uma história particular.
Relendo alguns escritos, achei esse de julho/2004 onde falo desse bichano querido:

Jay-Jay, o meu gato (gay) lindo... | Só os fracos preferem os cachorros, pois cachorros você pode dominar. Você grita com um cachorro e ele abaixa as orelhas e se encolhe, mesmo que não tenha feito nada de errado. Já os gatos não são submissos, é necessário tempo e paciência para conquistar-lhes o afeto, mas uma vez conquistados, são amigos fiéis e incondicionais.(...)
Jay-Jay é assim: tuxedo, lindo, (in)dependente, limpo, inteligente, carente e malandro. É um gato particular. Sofreu um bocado quando meu pai decidiu levá-lo embora de casa; e para não colocar a perder a fama dos gatos, voltou depois de três meses -- alguns quilos mais magro, com a pata esquerda traseira fraturada que lhe deixou a seqüela de andar mancando um pouco, muito assustado, rouco, estressado. Demorou meses para que ele voltasse a ser o gato que era, sem traumas psico-felinos. E ele conseguiu.

Morando do outro lado do oceano, eu percebo dia após dia o quanto sinto falta desse meu bichano querido. Quando falo com minha mãe pelo telefone, ele sempre está por perto dela e para me contentar, ela sempre dá um jeito de apertá-lo para que ele resmungue e ronrone um pouco e eu consiga ouví-lo. Os olhos chegam a ficam marejados de saudade dos dois... E Jay-Jay tem sido o único companheiro dos meus pais.

Resto na esperança que seja mais uma das suas escapadelas.
Tomara que ele volte logo pra felicidade da familia.br.


Trocados contados no chapéu


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