Flores
Ontem, como de praxe, fomos ao cemitério levar flores àqueles que já passaram desta pra melhor.
O maridón não trabalhou (o feriado aqui na Itália é no dia 1 -- dia de todos os santos -- e não no dia de finados). Meus sogros vieram conosco. Estivemos apenas em Canicattini Bagni neste ano (não fizemos o giro dos cemitérios como todos os anos anteriores).
Compramos um maço de dez crisântemos (quatro brancos, quatro amarelos e dois violetas) por € 5. Usa-se colocar apenas uma flor em cada uma das tumbas, pois se eu deixo dez, o outro parente deixa dez, o outro deixa cinco, teremos uma montanha de flores inúteis e nenhum outro espaço para outras flores.
Colocamos dois crisântemos na tomba da nonna (eu é quem subi na escada pra ajeitar as flores no pequeno vaso que já estava empanturrado de flores) e nas outras tumbas de parentes. Por último, reservei quatro e deixei na estátua da Madonna de pedra, que fica num dos jardins do cemitério, para os meus parentes já desencarnados e recém-desencarnados -- meu tio Francisco, irmão mais velho do meu pai. Nossa, tantos queridos já se foram... Lembrei também de um ex-colega de trabalho, que morreu precocemente há uns três anos atrás. É estranho, mas sempre lembro de C.; trabalhávamos na mesma equipe, mas não éramos tão próximos -- digo sermos amigos fora do ambiente de trabalho -- e algumas vezes até discutimos por motivos de trabalho, tarefas, etc., mas enfim, são coisas que acontecem. Depois que soube da sua morte, confesso que sempre tenho pensado nele e algumas coisas me fazem recordar dele, sem que eu queira.
Fiz uma prece à todos e pedi que descansem em paz.
Girando pelo cemitério é curioso ver as novas tumbas que estão sendo construídas. Dezesseis, dezoito, vinte lugares fora da terra, distribuídas em colunas de 4x4 ou 4x5 (eu lembro a da nossa família, seis lugares embaixo da terra). Algumas têm até escada pra subir, quase um pequeno hotel, sacam?
Números
Tenho facilidade para decorar números. De qualquer tipo.
Desde pequena tenho uma única curiosidade quando vou a cemitérios. É até uma mórbida curiosidade, diria.
Antes, quando era mais jovem, eu observava apenas as datas de nascimento, para saber quem havia nascido no século 19 (1800 e trá-lá-lá...). Hoje eu tenho a mania de observar também a data da morte e faço contas de quantos anos a pessoa viveu.
Eu fiquei triste quando vi nascimento em xx67 e morte em xx42. Fiquei calada e pensativa quando vi xx72 e xx52. Oitenta anos. Vi mais de um, ou seja, as estatisticas são corretas.
"Quem procura o que quer, acha o que não quer"
Tá... Tenho medo de morrer sozinha. Pronto, falei. Sei também que estatísticas furam e que cada um morre quando chega a hora.
Iiiiiiih, vamos mudar de assunto!
O maridón não trabalhou (o feriado aqui na Itália é no dia 1 -- dia de todos os santos -- e não no dia de finados). Meus sogros vieram conosco. Estivemos apenas em Canicattini Bagni neste ano (não fizemos o giro dos cemitérios como todos os anos anteriores).
Compramos um maço de dez crisântemos (quatro brancos, quatro amarelos e dois violetas) por € 5. Usa-se colocar apenas uma flor em cada uma das tumbas, pois se eu deixo dez, o outro parente deixa dez, o outro deixa cinco, teremos uma montanha de flores inúteis e nenhum outro espaço para outras flores. Colocamos dois crisântemos na tomba da nonna (eu é quem subi na escada pra ajeitar as flores no pequeno vaso que já estava empanturrado de flores) e nas outras tumbas de parentes. Por último, reservei quatro e deixei na estátua da Madonna de pedra, que fica num dos jardins do cemitério, para os meus parentes já desencarnados e recém-desencarnados -- meu tio Francisco, irmão mais velho do meu pai. Nossa, tantos queridos já se foram... Lembrei também de um ex-colega de trabalho, que morreu precocemente há uns três anos atrás. É estranho, mas sempre lembro de C.; trabalhávamos na mesma equipe, mas não éramos tão próximos -- digo sermos amigos fora do ambiente de trabalho -- e algumas vezes até discutimos por motivos de trabalho, tarefas, etc., mas enfim, são coisas que acontecem. Depois que soube da sua morte, confesso que sempre tenho pensado nele e algumas coisas me fazem recordar dele, sem que eu queira.
Fiz uma prece à todos e pedi que descansem em paz.
Girando pelo cemitério é curioso ver as novas tumbas que estão sendo construídas. Dezesseis, dezoito, vinte lugares fora da terra, distribuídas em colunas de 4x4 ou 4x5 (eu lembro a da nossa família, seis lugares embaixo da terra). Algumas têm até escada pra subir, quase um pequeno hotel, sacam?
Números
Tenho facilidade para decorar números. De qualquer tipo.
Desde pequena tenho uma única curiosidade quando vou a cemitérios. É até uma mórbida curiosidade, diria.
Antes, quando era mais jovem, eu observava apenas as datas de nascimento, para saber quem havia nascido no século 19 (1800 e trá-lá-lá...). Hoje eu tenho a mania de observar também a data da morte e faço contas de quantos anos a pessoa viveu.
Eu fiquei triste quando vi nascimento em xx67 e morte em xx42. Fiquei calada e pensativa quando vi xx72 e xx52. Oitenta anos. Vi mais de um, ou seja, as estatisticas são corretas.
"Quem procura o que quer, acha o que não quer"
Tá... Tenho medo de morrer sozinha. Pronto, falei. Sei também que estatísticas furam e que cada um morre quando chega a hora.
Iiiiiiih, vamos mudar de assunto!


Trocados contados no chapéu
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