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ToCv.3.8: Sapo Indigesto

Sapo Indigesto


Semana passada eu estava p* da vida mesmo.
Algumas atitudes me deixam realmente chateada, e eu não consigo entender o porquê deste comportamento, logo comigo que sou BBC (brava, buona e cara), como se diz por aqui.

Fulana da família liga aqui eram quase oito da noite e fala com o maridón (como eu estava cozinhando, não segui o discurso do início):

Ela: Oi. Sabe a tua página?
Ele: O que é que tem a minha página?
Ela: Eu queria dar uma olhada. Qual era o endereço mesmo?
Ele: Mas a página da empresa não está mais no ar.
Ela: Não estou me referindo àquela. É a do diário que fez a tua mulher.
Ele: Ah, espera que você fala com a Nezoca...

(e passou o telefone pra mim)

Eu: Oi, V.
Ela: Oi! Tudo bem, cunhadinha?
Eu: Sim, tudo e com você?
Ela: Tudo bem. Então, será que você pode me dar o endereço do diário.
Eu: Posso sim. Escreve aí... (ditei o endereço)
Ela: E a página de F., aquela do curriculum dele? Você lembra?
Eu: Não lembro!
Ela: Ah, tá ok, então. Vou dar uma olhada aqui. Ciao!
Eu: Ok. Ciao!

E desliguei o telefone.
Continuando a conversa com o maridón durante a janta, descobri o motivo da curiosidade noturna de V.: ela estava no show-room com o arquiteto que faz os projetos pra eles discutindo layouts (!!!) para o novo site da empresa (!!!!!).


Achei o fim da picada a atitude dela.
Pôxa vida, eu sou designer e trabalhei só sete anos da minha vida com criação de sites (em pequenas e grandes produtoras, as duas últimas no Brasil -- antes de vir pra cá). Atendi clientes importantes e também os com menos grana, que não manjavam nada de internet, mas queriam ter uma página na rede. Toda a família sabe disso, inclusive ela. Será que ela esqueceu que fui eu quem trabalhou o material publicitário da campanha do marido dela (irmão do maridón) quando ele se candidatou no ano passado? Sei lá, ela poderia ter comentado essa coisa do site comigo, poderia ter solicitado um orçamento, etc., mas nem isso ela fez. Faltou a consideração. Ela fez de conta que não sabia de nada. E se eu soubesse porque ela queria o endereço, não teria dado de jeito algum.

Quando nós compramos material para a reforma da nossa outra casa, alguns deles (acessórios para o banheiro, metais e piso -- este último ainda não pagamos) foram comprados na empresa do pai dela, onde ela trabalha. Nem um desconto ela fez, mas é compreensível, já que ela é tão sócia quanto o irmão. Mas com jeitinho e boa vontade, ela conseguiria o tal desconto, tenho certeza.

A história da falta de consideração é antiga. Quando o meu marido trabalhava exclusivamente com os vitrais, eles -- o pai e os irmãos dela -- disseram que os vidros das portas que eles vendessem na loja seriam feitos por ele. Ficou só na promessa, pois o maridón nunca fez NADA pra eles, não porque ele recusou trabalho, viu... mas sim porque eles deram o trabalho pra outra pessoa fazer. Assim, simples e curto.

Fiquei mal -- estou precisando ganhar uma grana, se é que vocês me entendem -- e com o sapo entalado na garganta.

Não tem problema, não. Esse mundo é uma roda. Qualquer hora eu desentalo na frente dela. E desentalarei tudo, tudo mesmo!


Trocados contados no chapéu


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